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  • 20 anos em gestão de clínicas. E o médico ainda anota pagamento no caderno

    20 anos em gestão de clínicas. E o médico ainda anota pagamento no caderno

    20 anos em gestão de clínicas. E o médico ainda anota pagamento no caderno.

    Patrícia Vasconcelos, consultora em gestão de clínicas, no ELLAs Podcast

    Artigo complementar ao Episódio 4 do ELLAs Podcast T5, com Patrícia Vasconcelos

    Patrícia Vasconcelos trabalha com gestão de clínicas médicas há 20 anos.

    Sua consultoria tem 10 anos de mercado, 17 pessoas e cinco braços de atuação: gestão, financeiro, RH, marketing digital e, há seis meses, inteligência artificial.

    20 anosem gestão de clínicas médicas
    10 anosde mercado da consultoria
    17pessoas no time
    5braços de atuação
    GestãoFinanceiroRHMarketing digitalIA · há 6 meses

    No EP04 do ELLAs, ela trouxe um retrato direto do que encontra dentro das clínicas e do que mudou nessas duas décadas.

    O médico quer IA, mas anota no caderno

    Segundo dados citados em palestra no SXSW 2026, mais de 80% dos médicos já usam o Open Evidence na prática clínica. No Brasil, a maioria nem conhece a ferramenta. Usa ChatGPT sem checar fonte, aceita a resposta como verdade e prescreve em cima disso.

    O gargalo está antes da tecnologia. Patrícia conta que ainda encontra clínicas sem sistema, com pagamento no caderno e nota em planilha de Excel. Quando o médico pede para “colocar IA”, o primeiro passo é explicar que sem processo, sem dado e sem time treinado, a IA acelera a bagunça.

    1. Cadernopagamento anotado à mão
    2. Processodefinido e repetível
    3. Dadoem sistema, não em planilha solta
    4. Timetreinado para usar
    5. IAsó então acelera

    Sem os degraus do meio, a IA acelera a bagunça.

    Onde já funciona: dashboards automatizados que mostram indicadores em tempo real, agentes que geram relatórios mensais sozinhos e secretárias usando IA para rascunhar textos antes de enviar ao paciente. O pré-requisito é sempre o mesmo: processo definido antes de ferramenta.

    Dashboards automatizadosIndicadores da clínica em tempo real.
    Agentes de relatórioRelatórios mensais gerados sozinhos.
    Rascunhos da secretáriaTextos revisados antes de ir para o paciente.

    De 4 consultorias para uma epidemia

    Quando Patrícia começou, existiam cerca de quatro consultorias focadas em gestão de clínicas. Hoje, qualquer pessoa que sai de uma clínica como gerente abre a própria. O resultado: preço desvalorizado, serviço sem profundidade e médicos com “trauma de consultoria”.

    Segundo Patrícia, 37 mil médicos se formam por ano no Brasil. Até 2030, serão 1,6 milhão (fonte citada no episódio, sem referência a estudo específico). A demanda por gestão, marketing e mentoria cresce junto. O mercado ficou abundante. O filtro natural é a entrega: quem não tem experiência acumulada não sustenta resultado no médio prazo.

    37 milmédicos se formam por ano no Brasil
    1,6 milhãomédicos previstos até 2030

    Números citados por Patrícia no episódio, sem referência a estudo específico.

    Quem entrega execução vira insubstituível

    Patrícia repete uma frase para o time e para os clientes:

    “O mundo das ideias vale 5 centavos. A execução vale milhões.”Patrícia Vasconcelos, no ELLAs Podcast

    A maioria dos médicos quer participar da estratégia. Fazer a execução, ninguém quer. Quem entrega com consistência vira insubstituível.

    Ela tem clientes há nove anos. O segredo, segundo ela: nunca competir com o médico.

    “Quando você mostra o que ele não enxerga, as falhas da operação, os números que ele não acompanha, ele vê valor em você.”Patrícia Vasconcelos, no ELLAs Podcast

    GEO: como a IA encontra sua clínica

    SEO posicionava no Google. GEO posiciona nas respostas das inteligências artificiais, quando alguém pergunta sobre um sintoma ou tratamento pelo ChatGPT, Gemini ou Perplexity.

    SEO No Google

    Posiciona a clínica na lista de resultados da busca.

    GEO Nas respostas da IA

    Posiciona a clínica quando alguém pergunta sobre um sintoma ou tratamento.

    ChatGPTGeminiPerplexity

    A consultoria de Patrícia publica 15 textos por semana no blog, escritos com linguagem orientada para LLMs. Em seis meses, começaram a receber leads que diziam: “o GPT me indicou vocês.”

    Dicas práticas de Patrícia: ter o site atualizado, estar presente em múltiplos canais (YouTube, blog, assessoria de imprensa), garantir avaliações positivas no Google Meu Negócio e manter constância de publicação. O ranking do Google ainda alimenta as respostas das IAs.

    • Site atualizado
    • Múltiplos canaisYouTube, blog, assessoria de imprensa
    • Avaliações positivasno Google Meu Negócio
    • Constância de publicaçãoo ranking do Google ainda alimenta as IAs
    Saúde nas IAs, toda semana

    230 milhões

    de pessoas buscam sobre saúde toda semana nas IAs.

    7 de cada 10 perguntas são sobre sintomas.
    74% dessas buscas são feitas por mulheres.

    Dado da OpenAI citado por Patrícia no episódio.

    Assista ao episódio completo

    ELLAs Podcast T5, Ep. 4, com Patrícia Vasconcelos.

    @ellaspod.cast · linktr.ee/ellaspod.cast

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    Flavia Del Valle | Fundadora da ELLA Intelligence.
    TEDx Speaker, SXSW 2026, Conselheira da Conty App. Criou o Instituto Lapidare (25K+ medicos, 12+ nacionalidades, fusao com Grupo SEB).
     
    Fernanda Hattori | 20+ anos executiva farma multinacional (LATAM).
    IA pela Stanford University. Criadora do “Descomplicando a IA”. Mackenzie + FGV + StartSe.
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  • Comunidade paga: 3 mil assinantes sem equipe | ELLAs Podcast

    Comunidade paga: 3 mil assinantes sem equipe | ELLAs Podcast

    3 mil assinantes, zero funcionários.

    O negócio digital que ela construiu com 9 vídeos por dia.

    Artigo complementar ao Episódio 3 do ELLAs Podcast T5, com Sofia Stefanon Santos

    Sofia Stefanon Santos é engenheira de produção. Nunca trabalhou como engenheira.

    Em três anos, construiu mais de 500 mil seguidores entre Instagram e TikTok e uma comunidade paga sobre livros que começou com 10 pessoas a R$10. Hoje são 3 mil assinantes a R$29,90 por mês, receita recorrente sem lançamento e sem time.

    500 mil+seguidores no Instagram e no TikTok
    3 milassinantes na comunidade paga
    R$29,90por mês, receita recorrente
    0funcionários e nenhum lançamento

    No EP03 do ELLAs, ela explicou o que fez e, mais importante, o que mediu.

    Comunidade paga nasce onde ninguém está falando

    Disseram a ela que livro não engaja. Por um tempo, ela obedeceu. Os primeiros vídeos eram “três técnicas de vendas”, sem citar a fonte. A audiência queria atalho.

    Quando passou a falar do que de fato lia, apareceu outro público: pessoas que não tinham com quem conversar sobre aquilo. Comunidade se forma em torno de um assunto que o círculo próximo não compartilha. Para quem saiu do CLT e está começando no empreendedorismo digital, o recado é direto: amigos e família raramente serão a audiência.

    Produção de conteúdo como método

    Um ano e meio publicando nove vídeos por dia no TikTok e no Instagram. Antes disso, três por dia. Antes, um.

    Dos nove, cinco usam ganchos que ela já sabe que funcionam (negociação, neurociência, liderança). Quatro testam coisa nova.

    “A fórmula que funciona hoje deixa de funcionar em duas semanas.”Sofia Stefanon Santos, no ELLAs Podcast

    O que decide se um vídeo funciona é o gancho. Às vezes uma palavra dita de outro jeito muda o resultado. Engenheira de produção carrega PDCA na cabeça: planejar, executar, medir, corrigir. Ela aplica isso à criação de conteúdo.

    PlanejarEscolher o gancho e o tema do vídeo.
    ExecutarGravar e publicar no TikTok e no Instagram.
    MedirVer o que funcionou e com quem.
    CorrigirTrocar a palavra, o gancho, o assunto.

    ↻ e recomeçar, todos os dias

    Viralizar para quem não compra não conta

    Um vídeo passou de 1 milhão de visualizações. Os comentários viraram briga sobre pirulito. Nenhum tinha relação com quem assina a comunidade.

    Por isso ela olha pouco para visualização. O indicador que importa é o comentário: a pessoa quis conversar, e sobre o quê.

    O que impressiona 1 milhão de views

    Comentários sobre pirulito. Nenhuma conversa com quem assina a comunidade.

    O que ela mede Comentários

    Quem quis conversar, e sobre o quê. É o sinal de que o público certo chegou.

    “Viralizar só tem valor quando o público que chega é o que compra no final.”Sofia Stefanon Santos, no ELLAs Podcast

    Tudo manual antes de automatizar

    O negócio solo não foi plano. Foi consequência de orçamento zero. Cada assinante novo significava parar, cadastrar e-mail, liberar acesso, emitir nota. Só quando a tarefa ficou repetitiva o bastante, ela automatizou.

    Regra de compra: nenhuma ferramenta nova entra se não se integra com as que já existem.

    Não existe solução única

    9 por diaO ritmo que funciona para a Sofia.
    1 por mêsO ritmo de uma criadora que ela cita e que chegou a 1 milhão de seguidores.

    A frase que encerra todos os vídeos dela serve aqui também. O método é testar, medir e corrigir. O resto é repetição com clareza.

    Assista ao episódio completo

    ELLAs Podcast T5, Ep. 3, com Sofia Stefanon Santos.

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  • Ela trabalhava 16 horas por dia. Um dia, se perguntou: “E se eu fizesse isso por mim?”

    Ela trabalhava 16 horas por dia. Um dia, se perguntou: “E se eu fizesse isso por mim?”

    Ela trabalhava 16 horas por dia. 

    Um dia, se perguntou:

     “E se eu fizesse isso por mim?”

    Artigo complementar ao Episódio 2 do ELLAs Podcast T5, com Fabíola Crepaldi

    Fabíola Crepaldi tinha 14 anos quando decidiu que nunca seria empreendedora.

    O pai, açougueiro desde os 17, construiu nove casas de carne em São Paulo. Aos 14 de Fabíola, tudo desmoronou. Do outro lado da família, os tios CLT seguiam com carro na garagem e vida previsível. A leitura foi direta: segurança está em ser funcionária. Empreender, não.

    Deu certo. Por quase duas décadas na indústria farmacêutica, de vendas a oncologia, ela liderou times, estruturou uma área de omnichannel e entregou resultado. Ganhava bem. Tinha estabilidade.

    Até que uma pergunta começou a incomodar.

    Um dia de trabalho da Fabíola executiva

    De 12 a 16 horas, num dia de 24.

    0h12h24h

    “Hoje eu trabalho de 12 a 16 horas por dia. Se eu fizesse isso pro meu negócio, qual resultado eu teria?”

    Da decisão aos 14 à empreendedora de hoje

    Uma trajetória que não foi um salto.

    1. Aos 14 anosVê o negócio do pai desmoronar e decide que nunca vai empreender.
    2. Quase duas décadasCarreira na indústria farmacêutica, de vendas a oncologia. Lidera times e estrutura uma área de omnichannel.
    3. A perguntaJornadas de 12 a 16 horas. E se esse esforço fosse para um negócio próprio?
    4. O pilotoAbre a SION com o marido, ainda no cargo corporativo.
    5. A ponteSeleciona ambiente, muda o que consome e testa a empreendedora que já existia.

    Quatro pilares que travam (ou liberam) uma decisão

    Fabíola estudou neurociência aplicada ao comportamento e trouxe ao episódio um modelo que explica por que certas escolhas parecem tão pesadas. Quatro pilares influenciam como cada pessoa processa decisões:

    01

    História individual

    A menina de 14 anos que viu o pai quebrar gravou: negócio próprio = risco. Essa leitura ficou ativa por décadas.

    02

    Ambiente social

    Com quem você convive define o que seu cérebro entende como “normal”. Se o seu círculo repete que “está difícil”, seu filtro cerebral vai priorizar dificuldade em tudo.

    03

    Momento atual

    Pressão, estresse, propósito. Fabíola só entendeu propósito depois dos 35.

    “Propósito é quando você entende de você com o outro. Nunca se trata só do que você quer para si.”
    04

    Biologia

    Hormônios, idade, sexo. Um estudo com mais de 28 mil participantes (UK Biobank, 2023) confirmou: mulheres têm vantagem em memória verbal, homens em memória espacial. Não é determinismo, é reconhecer que o aparato biológico influencia o modelo de aprendizado.

    Seu cérebro é um algoritmo

    Tudo que você consome, repete e fala, o cérebro interpreta como preferência. A partir disso, filtra bilhões de estímulos por segundo e entrega ao consciente apenas o que combina com o padrão já identificado.

    Como o filtro funciona

    O mesmo raciocínio de um algoritmo de recomendação.

    InputO que você consome, repete e fala
    FiltroO cérebro lê como preferência e seleciona entre bilhões de estímulos
    OutputO que chega ao consciente: mais do mesmo padrão

    Duas pessoas vivem a mesma situação e saem com histórias opostas. Não porque uma é “mais forte”, mas porque cada cérebro está filtrando por critérios diferentes. Isso não é pensamento positivo. É neurociência aplicada à gestão de si mesma.

    O que Fabíola fez (e o que você pode fazer)

    Ela não pediu demissão de uma vez. Primeiro, pilotou: com o marido, abriu a SION (reformas pensando em longevidade) sem conflito com o cargo corporativo. Um laboratório seguro para testar a empreendedora que já existia dentro dela.

    Depois, selecionou ambiente: cortou relações que a puxavam para baixo e escolheu cercar-se de gente que reforçava o que ela queria construir.

    “Selecionar ambiente, pessoas e o que você consome é decisão de gestão.”Fabíola Crepaldi, no episódio

    Pilotar

    Teste o negócio sem largar a renda. A SION nasceu ao lado do cargo corporativo.

    Selecionar ambiente

    Afaste o que puxa para baixo e se cerque de quem reforça o que você quer construir.

    Mudar o input

    Cuide do que você consome, repete e fala. É a entrada que define o filtro.

    Ponte, não salto

    A transição não precisa ser um salto. Pode ser uma ponte. Mas o primeiro passo é cuidar da entrada de dados: mudar o input é o que muda o output.

    ELLAs Podcast · T5 · Ep. 2

    Neurociência e IA: como se reinventar na carreira

    Assista ao episódio completo com Fabíola Crepaldi.

    Onde encontrar o ELLAs

    Produção Horus Creatory · ELLAs Podcast T5

    Quem somos
    Flavia Del Valle | Fundadora da ELLA Intelligence.
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    Fernanda Hattori | 20+ anos executiva farma multinacional (LATAM).
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  • Sem convênio, sem tráfego pago: o que a Dra. Jordana descobriu ao sair do centro cirúrgico

    Sem convênio, sem tráfego pago: o que a Dra. Jordana descobriu ao sair do centro cirúrgico

    Sem convênio, sem tráfego pago: o que a Dra. Jordana descobriu ao sair do centro cirúrgico

    No episódio que abre a quinta temporada do ELLAs Podcast, a ortopedista que virou empresária e mentora conta por que decidiu cedo, por que cuida do CPF antes do CNPJ e como enche a agenda sem anúncio. E o que isso tem a ver com qualquer mulher que gere um negócio sozinha.

    O Brasil fechou 2025 com 635,7 mil médicos. Em 2004 eram 13.820 vagas de graduação por ano. Em 2024, 48.491. A projeção da Demografia Médica (USP/AMB/Ministério da Saúde) é passar de 1,15 milhão de profissionais em 2035.

    Vagas de graduação em medicina por ano 3,5×

    Em 20 anos, a oferta de vagas mais que triplicou.

    20042024

    Fonte: Demografia Médica no Brasil 2025 (FMUSP/AMB/Ministério da Saúde)

    Pela primeira vez na história, as mulheres são maioria: 50,9% dos médicos ativos. Em 2010, eram 41%. Nas faculdades, 61,8% dos estudantes de medicina já são mulheres. A medicina se feminizou. As condições dentro dela, ainda não.

    Participação feminina na medicina brasileira

    A virada já aconteceu nas faculdades e acabou de acontecer na profissão.

    Médicos ativos, 201041%
    Médicos ativos, 202550,9%
    Estudantes de medicina, 202561,8%

    Fonte: Demografia Médica no Brasil 2025

    A Dra. Jordana viu esse cenário de dentro de uma sala de cirurgia. Ortopedista formada em universidade federal, com especialização em cirurgia de mão e microcirurgia, ela estava no auge técnico da carreira em 2019. E insatisfeita por dois motivos: dinheiro e tempo.

    Foi essa conversa que abriu a quinta temporada do ELLAs Podcast, apresentado por Flavia Del Valle e Fernanda Hattori.

    A decisão veio antes da pandemia

    Jordana resume o problema em uma frase: o paciente que tem convênio quer ser atendido pelo convênio. Ela não critica. Diz que todo mundo faz o mesmo com o próprio plano.

    A conclusão foi estratégica. Brigar com o sistema não funciona. O caminho era mudar de posição dentro dele. Concluiu uma pós-graduação em medicina esportiva e nutrologia, começou a atuar nessas áreas e montou um consultório 100% particular.

    A quarentena de 2020 acelerou o que já estava decidido. Cirurgias eletivas pararam. A procura por saúde, bem-estar e longevidade cresceu.

    “Ponto de inflexão total.”Dra. Jordana, sobre 2020

    A única mulher na sala

    Um dado que não aparece no currículo: na ortopedia, Jordana foi a única mulher do grupo em vários momentos, no Rio Grande do Sul e depois em São Paulo. Conta que fazia o trabalho de três, quatro, cinco pessoas para ter o mesmo reconhecimento de um colega homem.

    O caso dela não é isolado. A ortopedia tem 92% de homens no Brasil. Das 55 especialidades médicas reconhecidas, mulheres são maioria em apenas 20. Cirurgia cardiovascular, 88,8% de homens. Neurocirurgia, mesma proporção. A medicina é feminina nas estatísticas gerais, mas as especialidades cirúrgicas continuam sendo clube masculino.

    Quem ocupa as especialidades cirúrgicas

    Proporção de homens e mulheres entre especialistas.

    HomensMulheres
    Ortopedia
    92%
    8%
    Cirurgia cardiovascular
    88,8%
    11,2%
    Neurocirurgia
    88,8%
    11,2%

    Fonte: Demografia Médica 2025, via bip Insights

    E a conta chega no salário. Médicos homens recebem em média R$26.138. Médicas, R$19.865. Diferença de 24%, segundo o Panorama Financeiro do Médico (Afya, 2023). Na faixa dos 41 a 50 anos, a remuneração média das médicas equivale a 65% da dos homens. A diferença persiste mesmo ajustando por especialidade e carga horária.

    Remuneração média mensal −24%

    Mesma profissão, contracheques diferentes.

    MédicosR$ 26.138
    MédicasR$ 19.865
    Na faixa de 41 a 50 anos, para cada R$ 100 pagos a um médico, uma médica recebeR$ 65

    Fontes: Panorama Financeiro do Médico 2023 (Afya); Portal Afya, com dados da Demografia Médica

    Jordana não usou esses números no episódio. Ela contou a versão vivida. Mas os dados confirmam o que ela sentiu: trabalhar mais, entregar mais e receber menos.

    Gestão de tempo aprendida na quadra

    A lógica empresarial apareceu antes da medicina. Filha de uma família com renda limitada, Jordana pagava a escola particular com bolsa integral do vôlei. Jogava em três categorias, competia aos fins de semana e só tinha a aula para aprender.

    Dali veio o hábito que ela mantém até hoje: ler uma vez, prestar atenção uma vez, executar rápido. Também veio a ideia de troca justa. Primeiro você entrega, depois recebe.

    O médico como primeiro vendedor

    Como mentora de médicos, Jordana diz que a primeira barreira é tomar a decisão. As objeções se repetem: não sei vender, não tenho secretária, não tenho time, não tenho espaço.

    A resposta dela é dura. Sucesso e fracasso do consultório são do médico. Quem gera valor dentro da consulta é ele, e a negociação médica trata do que precisa ser feito pelo paciente. A secretária não tem essa credibilidade.

    O que separa os mentorados que avançam dos que travam, segundo ela, são duas coisas: mudança de mentalidade e execução.

    “Quanto mais rápido tu executa, já é muito dinheiro entrando na conta.”Dra. Jordana

    CPF antes do CNPJ

    A rotina dela é parte do argumento. Só depois de cuidar de si começa o expediente como médica.

    O dia da Dra. Jordana

    Três horas para o CPF antes da primeira consulta.

    1. 21hVai dormir
    2. 4hAcorda
    3. 5hCorre ou treina
    4. até 7hLê, faz reuniões ou cuida de si
    5. depoisComeça o expediente como médica

    O raciocínio tem duas partes. A primeira é coerência: o médico que manda o paciente dormir, treinar e comer bem precisa fazer o mesmo, porque o primeiro produto que ele vende é a própria imagem. A segunda é desempenho: cabeça descansada enxerga oportunidades que cabeça exausta deixa passar.

    Ela ensina os mentorados a definir quantas horas vão trabalhar por dia antes de definir quanto querem faturar. Para Jordana, o burnout começa quando a pessoa se perde do próprio CPF.

    Quem adoece mais

    Saúde mental na medicina e no trabalho, por gênero.

    2 em cada 3 médicos com transtorno mental no Brasil são mulheres. Médicas têm risco de suicídio 47% maior do que mulheres fora da área de saúde.

    71,6% dos casos de burnout registrados no país afetam mulheres. A faixa de 35 a 49 anos concentra os diagnósticos.

    Fontes: Pesquisa Afya (2024); Medscape, via bip Insights; estudo epidemiológico de burnout no Brasil 2014–2024 (RBMT / Acervo Mais)

    Quando Jordana fala em cuidar do CPF antes do CNPJ, está falando de algo que os números mostram com clareza: quem não cuida de si adoece, e mulheres adoecem mais porque carregam mais.

    Time treinado vem antes do paciente encantado

    O paciente vê a recepção antes de ver o médico. Por isso Jordana faz treinamentos e reuniões semanais, revisa agenda, estoque, produtos e serviços do mês.

    A frase dela sobre time é direta: antes de o colaborador “não ser capaz”, foi o médico que não foi capaz de treinar. Ninguém fez faculdade para ser a secretária daquele consultório específico.

    Reter paciente custa menos do que conquistar um novo. A experiência do time é o que segura esse paciente por anos.

    Networking orgânico: uma hora por dia, sem alvo fixo

    Jordana não usa tráfego pago. A agenda cresce por relacionamento e indicação. Ela reserva tempo diário para estar em ambientes e conversas que ainda não têm objetivo definido.

    A outra frente são parcerias. Ela leva seu conteúdo para a base de clientes de outras empresas e eventos. Ganha visibilidade sem pagar mídia.

    A hora que parece perdida

    O médico costuma resistir porque vê a hora livre como faturamento perdido. Na conversa, as apresentadoras e a convidada chegaram ao mesmo ponto: essa hora constrói time, rede e marca com retorno de médio e longo prazo.

    O preço pago pelas mulheres que avançaram

    A pergunta sobre o momento mais difícil levou a conversa para fora do consultório. Jordana descreve a cobrança de ser médica, empresária, mãe, atleta e cuidar da aparência, tudo ao mesmo tempo.

    O que as médicas relatam

    Percentual de médicas que dizem já ter vivido cada situação.

    Discriminação de gênero por parte de pacientes38,5%
    Assédio de colegas mais velhos23%

    Fonte: Sociedade Brasileira de Reumatologia, via bip Insights

    A dupla jornada (profissional e doméstica) comprime o tempo e amplifica a culpa, porque o sistema pede escolhas que os homens na mesma posição raramente precisam fazer.

    Para Jordana, as mulheres mudaram rápido demais para que os arranjos dentro de casa acompanhassem. O custo aparece nos relacionamentos. Equilibrar essa conta é, na leitura dela, o assunto que mais pesa na vida das pacientes.

    O que o ELLAs ouviu (e o que isso tem a ver com quem não é médica)

    A história da Jordana é sobre medicina. As perguntas que ela levanta servem para qualquer mulher que gere um negócio.

    Em 2025, mulheres abriram mais de 2 milhões de micro e pequenas empresas no Brasil, recorde da série histórica.

    2 mi+empresas abertas por mulheres em 2025, recorde histórico
    42%de todos os novos negócios do país
    58,3%das empreendedoras são chefes do domicílio
    67,6%não recebem nenhum complemento de renda

    Renda média mensal dessas empreendedoras: R$ 2.400. Fontes: Sebrae; Rede Mulher Empreendedora, Perfil das Empreendedoras 2025.

    Três perguntas do episódio que valem para qualquer fundadora

    Você cobra o que vale ou o que o mercado tolera?

    Jordana saiu do convênio porque o convênio não pagava o que o serviço dela valia. Muitas fundadoras enfrentam a mesma conta: subprecificação crônica porque “ainda estou começando” ou “meu público não pode pagar mais”. O preço é problema resolvido multiplicado por resultado entregue.

    Quem vende na sua empresa?

    Jordana diz que o médico é o primeiro vendedor. A fundadora de uma agência, de um escritório, de uma consultoria também é. Delegar a venda antes de dominar a venda é abrir mão do controle sobre o próprio faturamento.

    Quanto tempo do seu dia é seu?

    A rotina das 4h da manhã pode parecer extrema, mas o princípio é simples: se você não reserva tempo para si antes de começar o expediente, o expediente consome tudo. Duas em cada três profissionais de saúde com transtorno mental são mulheres. Fora da saúde, os números são parecidos. A fundadora que não cuida do próprio CPF compromete o CNPJ.

    A T5 do ELLAs é sobre decisão. Jordana é a primeira convidada porque a decisão dela veio antes de ter certeza. Veio antes da pandemia, antes da mentoria, antes de qualquer estrutura. Veio quando ela olhou para a carreira que tinha e entendeu que não era a carreira que queria.

    Nem toda médica deve virar empresária. Jordana diz isso no episódio, e é o trecho mais honesto: forçar empreendedorismo gera mais insatisfação e mais burnout. O ponto de partida é autoconhecimento, e a resposta pode mudar com a fase da vida.

    Para quem decide, ela aponta:

    Execução rápidaPreço justoTime treinadoRede de longo prazo

    Sem atalho. Sem tráfego pago. Sem pedir permissão.

    Assista ao episódio completo

    47 minutos sobre carreira médica, mercado de longevidade, gestão de time e o custo real de crescer sendo mulher.

    Ver no YouTube

    Onde encontrar

    Fontes dos dados
    DadoFonte
    635,7 mil médicos em 2025Medicina S/A, com base na Demografia Médica 2025
    13.820 vagas (2004) e 48.491 vagas (2024)Demografia Médica no Brasil 2025 (FMUSP/AMB/Ministério da Saúde)
    Projeção de 1,15 milhão em 2035Demografia Médica 2025
    50,9% dos médicos ativos são mulheresDemografia Médica 2025, confirmado por Correio Braziliense, Metrópoles e Portal FMB
    61,8% dos estudantes de medicina são mulheresDemografia Médica 2025
    Ortopedia 92% homens, cirurgia cardiovascular 88,8%Demografia Médica 2025, via bip Insights
    Gap salarial de 24%: homens R$ 26.138, mulheres R$ 19.865Panorama Financeiro do Médico 2023 (Afya), citado por Medicina S/A e bip Insights
    Na faixa de 41 a 50 anos, mulheres ganham 65% do salário masculinoPortal Afya, com dados da Demografia Médica
    2 em cada 3 médicos com transtorno mental são mulheresPesquisa Afya, 2024
    Médicas: risco de suicídio 47% maior que mulheres fora da saúdeMedscape, citado por bip Insights
    71,6% dos casos de burnout afetam mulheresEstudo epidemiológico de burnout no Brasil 2014–2024 (RBMT / Acervo Mais)
    Burnout: 1.760 casos (2023) para 6.985 (2025)ANAMT, com dados do INSS
    38,5% das médicas relatam discriminação de gênero por pacientesSociedade Brasileira de Reumatologia, via bip Insights
    2+ milhões de empresas abertas por mulheres em 2025 (recorde)Sebrae / Agência Sebrae
    42% do total de novos negócios são de mulheresSebrae, via O Tempo e Seu Dinheiro
    58,3% das empreendedoras são chefes de domicílioRede Mulher Empreendedora, Perfil das Empreendedoras 2025
    67,6% não recebem complemento de rendaRede Mulher Empreendedora
    Renda média mensal de R$ 2.400Rede Mulher Empreendedora

    Produção Horus Creatory · ELLAs Podcast T5

    Quem somos
    Flavia Del Valle | Fundadora da ELLA Intelligence.
    TEDx Speaker, SXSW 2026, Conselheira da Conty App. Criou o Instituto Lapidare (25K+ medicos, 12+ nacionalidades, fusao com Grupo SEB).
     
    Fernanda Hattori | 20+ anos executiva farma multinacional (LATAM).
    IA pela Stanford University. Criadora do “Descomplicando a IA”. Mackenzie + FGV + StartSe.
    Producao: Horus Creatory | Atelier de criacao de conteudo estrategico para mulheres que lideram
     
    ELLAs Podcast | ELLA Intelligence | @ellaspod.cast
    Mulheres. Decisao. Inteligencia.

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  • 85% das mulheres lideres já participam da estratégia de IA nas empresas.

    85% das mulheres lideres já participam da estratégia de IA nas empresas.

    85% das mulheres lideres já participam da estratégia de IA nas empresas.

    Mas quantas redesenharam a forma como decidem?

    85%.

     

    Esse e o numero do relatorio Chief + Harris Poll 2026. A pergunta: quantas mulheres em posicao de lideranca participam ativamente da estrategia de IA nas suas organizacoes?

     

    A maioria leu esse dado e pensou: “Otimo. Estamos avancando.”

     

    Eu li e pensei outra coisa.

     

    Pensei na pergunta que ninguem fez. Nao “quantas participam”, mas “como decidem”. Porque existe uma distancia enorme entre estar na mesa onde IA e discutida e redesenhar a forma como voce toma decisoes por causa dela. A primeira e presenca. A segunda muda tudo.

     

    Nos ultimos quatro anos, o ELLAs Podcast entrevistou mais de 40 mulheres. Executivas, fundadoras, cientistas, medicas, investidoras. Em todas as conversas, o mesmo padrao: mulheres que lideram tomam decisoes sozinhas. Nao por escolha. Por falta de estrutura, de metodo, de um espaco onde a decisao pudesse ser discutida antes de virar acao.

     

    Quando comecei a Temporada 1, eu nao tinha clareza sobre o tamanho desse problema. Sabia que existia porque eu mesma vivi. Fundei o Instituto Lapidare com 23 anos, montei sociedade errada, quebrei uma clinica em 30 meses. Cada erro nasceu de uma decisao que tomei sem ter com quem pensar junto. Nao faltava competencia. Faltava arquitetura decisoria.

     

    Quatro temporadas depois, o ELLAs Podcast se tornou o espaco onde essa conversa acontece. Nao e motivacao. Nao e celebracao. E conversa real sobre o que significa decidir quando voce e a unica na mesa.

     

    E agora, a Temporada 5 chega com uma mudanca estrutural.

     

    Eu nao vou mais apresentar sozinha.

     

    A partir de agora, ao meu lado esta Fernanda Hattori. A razao pela qual ela esta aqui e exatamente o ponto: precisamos de mais de uma perspectiva para tomar decisoes melhores. Trouxe alguem que pensa diferente de mim. Que vem de outro setor. Que construiu carreira em outro modelo. O ELLAs nunca foi sobre concordar. E sobre decidir melhor.

    Quem é Fernanda Hattori e por que ela esta no ELLAs

    Fernanda Hattori tem mais de 20 anos de trajetoria executiva em farmaceutica multinacional, com responsabilidade sobre estrategia comercial na America Latina. O tipo de carreira que exige decisoes de alto impacto todos os dias, com consequencias reais em mercados reais.

     

    O que me fez convida-la nao foi o curriculo. Foi a forma como ela traduz tecnologia.

     

    Fernanda fez formacao em Inteligencia Artificial pela Stanford University. Criou o projeto “Descomplicando a IA”: uma abordagem que traduz a tecnologia em aplicacoes claras, sem jargao, conectadas a rotina de cada cliente. Cada projeto parte do contexto setorial do cliente, seja saude, financeiro, varejo ou juridico.

     

    Formacao em Publicidade e Marketing pela Mackenzie, pos-graduacao em Administracao pela FGV, especializacao em Business Opportunities and Applications of Generative AI por Stanford, e imersao executiva em IA para Negocios pela StartSe Tech Academy. Convidada recorrente do podcast IA Todo Dia.

    Quantas mulheres lideres participam da estratégia de IA?

    Segundo o relatorio Chief + Harris Poll 2026, 85% das mulheres em cargos de lideranca sao participantes ativas na estrategia de IA das suas organizacoes: definem diretrizes de governanca, constroem solucoes e desenham como humanos e agentes vao trabalhar juntos. A pesquisa ouviu 1.768 lideres nos EUA entre fevereiro e marco de 2026.

     

    O que essas lideres priorizam?
    68% usam IA para amplificar talento humano, nao para substituir. 85% acreditam que empresas que investem em IA e em pessoas simultaneamente terao melhor desempenho do que as que apostam so em tecnologia. Nos ultimos 12 meses, 48% agiram para garantir que seus times continuem desenvolvendo competencias a medida que a IA absorve tarefas operacionais.

     

    E as mulheres no inicio de carreira?
    O relatorio McKinsey Women in the Workplace 2025 mostra o outro lado: apenas 21% das mulheres em cargos iniciais recebem incentivo do gestor para usar IA, contra 33% dos homens no mesmo nivel. So 37% das mulheres em inicio de carreira acreditam que a IA vai melhorar suas perspectivas profissionais. O gap comeca cedo.

     

    Como empreendedoras estao usando IA na pratica?
    Dados da Cherie Blair Foundation (marco 2026) mostram que o uso de IA entre mulheres empreendedoras em paises de renda media mais que dobrou em um ano: de 38% em 2024 para 82% em 2025. A adocao disparou. A integracao profunda, nao. A maioria usa IA para tarefas pontuais, sem redesenhar processos ou decisoes.

     

    E aqui entra o ponto central da Temporada 5.

     

    Tres crises de lideranca na era da IA
    Apresentei essas tres crises no SXSW 2026, em Austin. Primeira: a atrofia cognitiva silenciosa. Profissionais que terceirizam pensamento para a ferramenta sem perceber. A IA responde, elas assinam. Segunda: a terceirizacao emocional. Conversas dificeis com time, com socios, com clientes, sendo delegadas a sistemas automatizados. A lideranca perde substancia. Terceira: a concentracao decisoria. Poucos decidem como a IA entra na organizacao. O resto obedece.

    O ELLAs nasceu de uma constatação

    Nao existia um espaco onde mulheres que lideram pudessem discutir decisao com profundidade. Nao coaching. Nao mentoria de palco. Conversa real, com dados, com historia, com vulnerabilidade e proposito.

     

    Quatro temporadas. Mais de 40 convidadas. Medicas, CEOs, cientistas, fundadoras, investidoras. A mesma pergunta em todas: “O que voce faria diferente na decisao mais dificil que tomou?”

     

    Nenhuma resposta foi igual. O padrao e claro: faltou metodo, faltou estrutura, faltou alguem que pensasse diferente na mesa.

     

    A Temporada 5 e a primeira desenhada com esse principio desde o inicio. Duas apresentadoras. Cinco convidadas. Um tema transversal: como mulheres decidem na era da inteligencia artificial.

    Marco de 2026. Austin, SXSW.

    Paineis sobre IA e governanca corporativa. Numa plateia de 400 pessoas, contei tres mulheres. Eu era uma delas.

     

    No mesmo evento, Rana el Kaliouby disse no palco: “IA hoje e um clube de meninos.” Nao foi metafora. Foi diagnostico. Ela completou: “Se as mulheres ficarem de fora, porque nao estao fundando essas empresas, porque nao estao recebendo funding, porque nao estao nem investindo nos fundos que investem nessas empresas, vamos olhar pra tras daqui a cinco ou dez anos e o gap economico vai ter explodido.”

     

    Na Folha, na Bloomberg Linea, nos bastidores do Economia S/A, a cena se repete: a mulher que fala sobre IA e tratada como excecao, nao como regra. Como se decisao e tecnologia fossem assuntos de outro genero.

     

    Voltei de Austin com uma certeza: a proxima temporada do ELLAs nao podia ser igual as anteriores. Nao bastava trazer convidadas e fazer perguntas boas. Precisava mudar a estrutura.

     

    Foi quando liguei para a Fernanda.

     

    A conversa durou 47 minutos. Eu esperava 15. Comecamos falando sobre a temporada e terminamos falando sobre como a IA esta mudando a forma como mulheres precificam, negociam e decidem. Ela me contou sobre um projeto que fez com uma rede de clinicas: o dono queria usar IA para substituir atendimento humano. Fernanda mostrou, com dados, que o problema nao era o atendimento. Era a triagem. Redesenhou o fluxo. O tempo de espera caiu 40%. Nenhum profissional foi demitido.

     

    Eu falei sobre o que vi no SXSW. Sobre como a maioria dos paineis sobre governanca de IA nao tinha uma unica mulher. Sobre como a narrativa de “democratizacao da IA” esconde o fato de que poucos decidem como ela entra na organizacao.

     

    Fernanda ouviu e disse uma frase que ficou: “O problema nunca foi a ferramenta. E quem decide como ela e usada. E essa decisao, na maioria das vezes, nao e de quem deveria ser.”

     

    Naquele momento, eu soube que ela precisava estar no ELLAs. Nao como convidada de um episodio. Como co-apresentadora da temporada inteira.

    A tagline diz tudo: Mulheres. Decisão. Inteligência.

    Tres palavras. Tres pilares editoriais.

     

    Decisao: a solidao decisoria, a lideranca sem metodo, a dimensao invisivel do comando. O peso de decidir quando voce e a unica responsavel.

     

    IA + Mulheres: fluencia real em inteligencia artificial para quem decide. Nao tutorial de ferramenta. Estrategia de aplicacao.

     

    Construcao: empreendedorismo feminino, capital, autonomia. O que significa construir algo seu quando o sistema nao foi desenhado para voce.

     

    A gravacao acontece dia 30 de setembro de 2026, em estudio em Sao Paulo. Cinco convidadas. Cinco episodios. Um dia inteiro de conversas reais, sem roteiro rigido, sem edicao que tira a substancia.

     

    Os episodios vao ao ar a partir de 8 de outubro, toda quinta-feira as 8h. YouTube, Spotify, Apple Podcasts.

    Vou ser direta.

    A maioria dos podcasts sobre “mulheres e negocios” caiu numa armadilha. Virou celebracao. Virou “olha como ela e incrivel”. Virou aplaudir sem questionar.

     

    O ELLAs nunca foi isso. A Temporada 5 e a mais provocadora que ja fizemos.

     

    O ponto nao e que mulheres estao usando IA. E que estao usando sem metodo. Adotam ferramentas sem redesenhar processos. Automatizam o operacional sem repensar o estrategico.

     

    Eu sei porque ja fiz isso.

     

    Em 2019, quando o Instituto Lapidare estava crescendo rapido, adotei tres ferramentas de automacao em dois meses. Resultado: ganhei tempo operacional e perdi clareza estrategica. As ferramentas funcionavam. Eu nao sabia mais por que tinha escolhido aquele caminho. A ferramenta pensou. Eu assinei.

     

    Esse e o risco da atrofia cognitiva silenciosa. Voce nao percebe que parou de pensar. A ferramenta entrega respostas boas. Resposta boa nao e o mesmo que decisao boa. Decisao exige contexto, intuicao, experiencia. Exige parar, olhar o cenario completo e escolher. A ferramenta nao faz isso por voce.

     

    A Temporada 5 existe para isso. Para cinco mulheres sentarem na frente de um microfone e contarem como decidem de verdade. Nao o que deu certo. O que deu errado tambem. O metodo. O erro. A correcao. O resultado.

     

    Cada convidada foi escolhida porque construiu algo real. Nao porque tem seguidores. Nao porque fala bem em palco. Porque tomou decisoes que mudaram trajetorias, times, empresas, pacientes, comunidades.

     

    Voce vai ouvir sobre uma medica que saiu do consultorio e virou empresaria. Sobre uma CEO que gerencia 250 clinicas sem achismo. Sobre uma empreendedora de 28 anos que construiu uma comunidade de 2600 alunos. Sobre uma diretora de hospital que reduziu o tempo de tratamento oncologico em 56% usando tecnologia.

     

    Nenhuma dessas historias e simples. Nenhuma e linear. Exatamente por isso importam.

    A Temporada 5 começa dia 8 de outubro. A conversa começa agora.

    Nas proximas semanas, voce vai receber aqui os bastidores da producao, os dados que sustentam cada episodio e as historias das convidadas antes de elas irem ao ar. Quem acompanha a newsletter chega no episodio sabendo o contexto. Contexto muda a forma como voce ouve.
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    Flavia Del Valle | Fundadora da ELLA Intelligence.
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    Fernanda Hattori | 20+ anos executiva farma multinacional (LATAM).
    IA pela Stanford University. Criadora do “Descomplicando a IA”. Mackenzie + FGV + StartSe.
    Producao: Horus Creatory | Atelier de criacao de conteudo estrategico para mulheres que lideram
     
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  • Elas não estão desistindo. Estão saindo para construir.

    Elas não estão desistindo. Estão saindo para construir.

    Elas não estão desistindo.

    Estão saindo para construir.

    Mulheres ocupam 31% dos cargos de liderança sênior no mundo. Em 2024, eram 35%. Em 2025, 34%.


    O dado é do Grant Thornton Women in Business 2026. E a direção é clara: a presença feminina no topo está recuando.


    Mas existe um segundo dado que ninguém lê junto.


    Em 2024, mulheres fundaram quase metade das novas empresas nos Estados Unidos. Em 2019, eram 30%. Nos últimos três anos, o crescimento de negócios liderados por mulheres foi de 12,1%. Para homens, 6,3%.


    As mulheres não estão desistindo. Estão construindo. Fora da estrutura que não as sustenta.

    Por que mulheres estão trocando o corporativo pelo próprio negócio

    75% dizem que querem ser donas do próprio tempo. 62% querem controle sobre como e quando trabalham. Mais da metade quer construir um ativo financeiro próprio.

     

    Os números são da Forbes e do Wells Fargo. E contam uma história que o mundo corporativo prefere ignorar: as profissionais mais qualificadas estão saindo. Não por falta de ambição. Por excesso de clareza.

     

    Na semana passada, mostramos aqui que 43% das mulheres em cargos de liderança querem sair. Hoje o dado ganha contexto. Elas não querem sair para parar. Querem sair para construir algo que faça sentido.

    O paradoxo Gallup 2026: engajamento e burnout feminino

    Mulheres são mais engajadas do que homens no trabalho. 34% contra 28%. São mais motivadas para crescer na carreira: 20% contra 16%.


    E, ao mesmo tempo, 31% das mulheres dizem que se sentem esgotadas com frequência. Contra 23% dos homens.


    Mais engajadas. Mais ambiciosas. E mais esgotadas.


    O Gallup chama isso de paradoxo. Não é paradoxo. É consequência. Quando o ambiente exige mais de quem entrega mais, sem devolver suporte proporcional, o resultado é previsível. Engajamento e esgotamento coexistem até o dia em que um dos dois ganha. E quando o esgotamento ganha, a empresa perde exatamente quem mais precisava.

    O dado que o capital de risco ignora

    Mulheres fundaram quase 50% das novas empresas. Mas recebem menos de 2% do capital de risco. Em 2023, eram 2%. Em 2026, o número caiu.

     

    E o retorno? Startups fundadas por mulheres entregam 2,5 vezes mais resultado por dólar investido do que as fundadas por homens.

     

    O dinheiro não vai para quem entrega mais. Vai para quem o sistema reconhece. E o sistema ainda reconhece um perfil que não reflete a realidade do mercado.

    Empreendedorismo feminino no Brasil: os dados do Sebrae 2026

    48% dos MEIs ativos no Brasil são mulheres. Recorde.


    54,6% dos brasileiros que pretendem empreender são mulheres, segundo o GEM/Sebrae.


    28% das empreendedoras têm ensino superior, índice acima do masculino.


    7 em cada 10 já usam inteligência artificial para automatizar o operacional.


    Os números são claros: mulheres brasileiras estão mais preparadas, mais presentes e mais adaptadas à tecnologia do que a narrativa dominante reconhece. O gargalo não é competência. É capital, estrutura e rede de suporte.


    E persiste um dado que precisa ser visto: nas micro e pequenas empresas, mulheres ganham em média 15% menos que homens. A desigualdade aumenta conforme a empresa cresce.

    O que isso muda para quem lidera e para quem constrói

    Se 31% dos cargos de liderança sênior são de mulheres e o número está caindo, o mercado não tem um problema de talento. Tem um problema de ambiente.

    E as mulheres já perceberam.

    Elas não estão esperando o sistema mudar. Estão construindo o sistema que precisam. Com método, com dados, com clareza sobre o que vale o próprio tempo.

    A pergunta deixou de ser “como faço para crescer dentro dessa empresa?” e passou a ser “o que consigo construir fora dela?”

    O ambiente que não sustenta quem constrói vai assistir quem constrói ir embora e construir em outro lugar.

    Se essa newsletter fez sentido, encaminha para alguém que precisa ler.

     

    Toda semana, dados e provocações sobre liderança feminina e empreendedorismo no Ellas Podcast. Se cadastra.

    Fontes:

    • Grant Thornton: Women in Business 2026 (31% dos cargos seniores, queda de 35% em 2024)
    • Forbes/Wells Fargo: 15,7 milhões de negócios liderados por mulheres nos EUA (40%+ do total)
    • Forbes: mulheres fundaram quase 50% das novas empresas em 2024 (vs 30% em 2019)
    • Gallup State of the Global Workplace 2026: mulheres 34% engajadas vs 28% homens; 31% burnout vs 23% homens
    • GEM/Sebrae: 48% dos MEIs são mulheres; 54,6% dos aspirantes a empreendedores são mulheres
    • Startups fundadas por mulheres: retorno 2,5x maior por dólar investido

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  • 43% das líderes querem sair. E ninguém pergunta por quê

    43% das líderes querem sair. E ninguém pergunta por quê

    43% das líderes querem sair.

    E ninguém pergunta por quê.

    6 em cada 10 mulheres em cargos de liderança relatam burnout frequente.

     

    O dado é do McKinsey Women in the Workplace 2025, o maior estudo corporativo sobre gênero nos Estados Unidos. 10 mil funcionários. 124 organizações. E a conclusão mais dura do relatório não é sobre salário, promoção ou política de home office.

     

    É sobre saída.

     

    Mulheres em posições de liderança estão trocando de emprego na taxa mais alta já registrada pelo estudo. Mais alta do que homens no mesmo nível. Mais alta do que em qualquer edição anterior.

     

    E a maioria das empresas não parou para perguntar por quê.

    Por que as melhores profissionais estão pedindo demissão

    Não é por dinheiro.

     

    79% dos funcionários que descrevem o ambiente de trabalho como “tóxico” apontam a liderança como o problema central. Gestores sem ética. Gestores que não prestam contas. Gestores que não sustentam quem performa.

     

    Quando o ambiente é o problema, quem sai primeiro é quem tem opção. E quem tem opção são as melhores.

     

    Mulheres em posições de liderança sênior, aquelas que levaram anos para chegar, estão olhando para a estrutura ao redor e decidindo que não vale mais a pena. Não por fraqueza. Porque o retorno emocional não compensa o investimento.

     

    O resultado: as empresas perdem exatamente quem mais precisam. E ficam com quem se adapta ao sistema quebrado. Não com quem conserta.

    Liderança feminina e ambientes tóxicos: os dados que ninguém quer ver

    29% dos cargos de C-suite são ocupados por mulheres. O número não mudou de 2024 para 2025.

     

    Apenas metade das empresas está priorizando o avanço de carreira de mulheres. O número caiu nos últimos três anos consecutivos.

     

    77% das mulheres negras em cargos seniores relatam burnout frequente. Setenta e sete por cento.

     

    E pela primeira vez, o estudo registra uma queda na ambição feminina: 80% das mulheres querem ser promovidas, contra 86% dos homens. Mas o relatório faz uma ressalva que muda tudo: quando mulheres recebem o mesmo suporte de carreira que homens, a diferença de ambição desaparece.

     

    O problema não é que mulheres querem menos. É que o ambiente entrega menos para elas.

    O custo invisível de perder líderes mulheres

    Quando as melhores vão embora, o custo não aparece no balanço. Mas aparece em tudo.

     

    Aparece na qualidade das decisões. Aparece no clima do time. Aparece na rotatividade que se multiplica, porque quando uma líder forte sai, outras percebem que o teto é mais baixo do que imaginavam.

     

    A McKinsey estima que empresas com diversidade de gênero no topo têm 25% mais chance de superar a rentabilidade média do setor. Não é pauta social. É dado financeiro.

     

    Perder mulheres da liderança não é problema de RH. É problema de resultado.

    Cris Reis e o que acontece quando uma líder decide parar de aceitar

    Na T4 do Ellas Podcast, gravamos com Cris Reis. Ela liderou times grandes. Passou por ambientes que não sustentavam quem performava. E um dia decidiu parar de aceitar o ambiente como ele era.

     

    Cris trouxe para a conversa o que muitas sentem e poucas dizem em voz alta: o cansaço não vem do trabalho. Vem de sustentar o trabalho dentro de uma estrutura que não foi desenhada para você.

     

    E fez uma provocação que ficou: se 43% das mulheres em cargos de liderança querem sair, o problema não é a mulher. É a sala.

     

    Você está numa sala que sustenta quem você é? Ou está gastando energia para caber num lugar que não foi feito para você?

     

    O ambiente que não sustenta quem performa não merece quem performa.

    Assista o episódio completo com Cris Reis sobre liderança feminina e ambientes de trabalho no link da bio do @ellaspod.cast.

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  • A IA domina dados. Mas quem decide com clareza?

    A IA domina dados. Mas quem decide com clareza?

    A IA domina dados.

    Mas quem decide com clareza?

    94% dos executivos acreditam que a inteligência artificial vai eliminar menos de 5% dos empregos nos próximos dois anos.

    O dado é da Forbes Research 2025. E parece um alívio. Até você ler o resto.

    O World Economic Forum estima que 22% dos empregos vão ser reestruturados até 2030. 170 milhões de novas funções criadas. 92 milhões eliminadas. E 39% da força de trabalho global vai precisar atualizar ou transformar suas competências entre 2025 e 2030. São 460 milhões de pessoas.

    A IA não vai tirar o seu emprego amanhã. Mas vai redesenhar o que significa ser boa no que você faz.

    E é aqui que a pergunta muda.

    O que a inteligência artificial já faz melhor que você

    A IA já processa mais dados em segundos do que qualquer time em semanas. Ela já escreve relatórios, responde e-mails, gera análises, monta apresentações, automatiza processos. Posts de vagas que exigem competências em IA cresceram 144% nos Estados Unidos em 2026 (NACE). Não só em tecnologia. Em saúde. Em finanças. Em manufatura. E ao mesmo tempo, as vagas que exigem tarefas repetitivas e estruturadas caíram 13% desde o lançamento do ChatGPT em 2022. As que exigem trabalho analítico, criativo ou técnico cresceram 20%. A máquina já faz o operacional. A pergunta é: o que sobra para quem está na sala de decisão?

    Decisão, empatia e presença: o que a IA não replica

    Sobram três coisas. Três competências que nenhum modelo de linguagem reproduz. E que definem quem lidera e quem executa ordens de uma tela.

    Decidir exige contexto. Exige leitura de risco. Exige aceitar que a informação nunca vai ser completa e agir mesmo assim. A IA pode te dar 47 cenários. Quem escolhe entre eles é você. E quem sustenta a consequência da escolha também.

    Empatia não é concordar. É ler o que não foi dito. É perceber que a melhor analista do time está pedindo demissão antes de ela abrir a boca. 60% das mulheres em cargos de liderança relatam burnout frequente, segundo o McKinsey Women in the Workplace 2025. A IA não detecta isso. Uma líder presente, sim.

    Presença.
    Estar na sala quando a decisão acontece. Não delegar para o algoritmo, para o time ou para a próxima reunião. Presença é o que transforma dado em direção.

    O Korn Ferry Leadership Trends Report 2025 confirma: adaptabilidade, autenticidade, construção de cultura e confiança são os quatro motores de organizações preparadas para o futuro. Nenhum deles é replicável por máquina.

    Por que líderes que dominam habilidades humanas valem mais em 2026

    77% dos empregadores planejam requalificar seus times nos próximos cinco anos, segundo o WEF. Mas requalificar para quê? Não é para operar a ferramenta. Isso qualquer pessoa aprende em semanas. É para fazer o que a ferramenta não faz: decidir sob pressão, construir confiança em times distribuídos, conduzir conversas difíceis, ler ambientes políticos dentro de organizações. A McKinsey estima que até 30% das horas de trabalho nos EUA podem ser automatizadas. As horas que sobram são as de maior valor. E as de maior complexidade humana. A líder que domina essas três competências não compete com a IA. Ela comanda a IA.

    Carol Garrafa e a pergunta que ficou: o que te torna insubstituível?

    Na T4 do Ellas Podcast, gravamos com Carol Garrafa. E ela fez uma pergunta que parou a conversa: o que a inteligência artificial não substitui?

    A resposta dela: decisão. Empatia. Presença. Tudo que depende de quem está na sala.

    Carol não tratou essas competências como complemento. Tratou como estrutura. Como o que separa quem lidera de quem administra.

    E trouxe uma provocação que ficou: se a IA aprende com dados, e os dados não têm diversidade, o sistema replica o viés. Não por maldade. Por ausência.

    Se a sala de decisão não tem mulheres, a tecnologia que sai dela também não vai ter.

    Você sabe quais são as suas três competências insubstituíveis? Ou está investindo tempo nas que a máquina já faz melhor?

    A IA processa. Quem decide é você.

    • Fontes:
    • World Economic Forum: Future of Jobs Report 2025 (janeiro 2025)
    • Forbes Research 2025: AI Survey, 94% dos executivos sobre eliminação de empregos
    • NACE: Demand for AI Skills in Entry-level Jobs, crescimento de 144% (2026)
    • McKinsey / LeanIn.Org: Women in the Workplace 2025, 60% de burnout em líderes seniores
    • Korn Ferry: Leadership Trends Report 2025
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  • Ela construiu uma empresa de US$ 87 bilhões

    Ela construiu uma empresa de US$ 87 bilhões

    Ela não discutiu.

    Ela construiu uma empresa de US$ 87 bilhões.

    Na semana passada, o X virou um confessionário de fundadores de tecnologia.

    Empreendedores começaram a expor, publicamente, historias de investidores que rejeitaram suas empresas. Investidores que dormiram no meio do pitch. Investidores que sumiram depois de assinar o termo de compromisso. Investidores que sugeriram demitir cofundadores para ficar com as ações deles.

    A thread viralizou. Milhares de respostas. Nomes citados. Fundos nomeados.

    Mas um relato parou tudo.

    Matthew Prince, CEO da Cloudflare, contou que um socio da Sequoia Capital rejeitou a empresa porque não acreditava que uma mulher pudesse liderar uma empresa de infraestrutura de segurança.

    A mulher era Michelle Zatlyn. Cofundadora. Presidente. COO.

    Cloudflare em números: o resultado de Michelle Zatlyn

    Valor de mercado: US$ 87 bilhões.

    Receita no Q1 2026: US$ 639,8 milhões (+34% em relação ao ano anterior).

    Receita projetada para 2026: US$ 2,8 bilhões.

    A Cloudflare protege mais de 20% de todo o trafego da internet global.

     

    Michelle Zatlyn se formou em Química pela McGill University. Fez MBA em Harvard. Cofundou a Cloudflare em 2009. Patrimônio estimado pela Forbes: US$ 1,9 bilhão. Reconhecida pela Fortune como ’40 Under 40′ e pela Forbes entre as ’50 Self-Made Women’.

    A Sequoia perdeu a chance de investir em uma das maiores empresas de cibersegurança do mundo. E perdeu por que? Porque um sócio olhou para a mesa e não conseguiu ver uma mulher empreendedora no comando.

    O que essa história ensina sobre liderança feminina

    Seria fácil transformar esse caso em discurso. Mas não é o que interessa aqui.

    O que interessa é o que veio depois do ‘não’.

    Michelle não foi reclamar. Nao montou painel sobre viés de gênero. Não escreveu manifesto. Foi buscar o resultado.

    US$ 87 bilhões. Dois vírgula oito bilhões em receita projetada para 2026. Um produto que protege mais de 20% de todo o tráfego da internet.

    O resultado tornou a opinião do investidor irrelevante.

    Mulheres fundadoras e o acesso ao capital de risco

    Se você é fundadora, executiva, ou lidera qualquer operação, já ouviu alguma versão desse ‘nao’. Talvez não tao explícito. Talvez disfarçado de ‘a gente precisa de mais dados’, ‘o mercado não está pronto’, ‘o timing não é esse’.

    A tentação é parar para explicar. Para convencer. Para provar que a dúvida não fazia sentido.

    Michelle não fez nada disso. Foi construir.

    Tem uma diferença entre responder ao preconceito e tornar o preconceito irrelevante. A primeira opção te mantém presa na conversa dos outros. A segunda constrói a sua.

    Venture capital e mulheres: os números que ninguém deveria ignorar

    Mulheres fundadoras recebem 1,9% do capital de venture capital global. De US$ 289 bilhões investidos em 2024, US$ 6,7 bilhões foram para times fundados exclusivamente por mulheres.

    Empresas fundadas por mulheres geram R$ 0,78 de receita por cada R$ 1 investido. Empresas fundadas por homens geram R$ 0,31.

    O retorno e 2,5 vezes maior. E o cheque continua menor.

    75% dos fundos de venture capital não tem nenhuma mulher como sócia investidora. 17% dos cargos de decisão no setor são ocupados por mulheres empreendedoras.

    A conta não fecha. Mas vai fechar. Porque os resultados estão forçando a correção.

    Kelly Gusmão e a pergunta que ficou: por que o dinheiro não chega?

    Na T4 do Ellas Podcast, gravamos com Kelly Gusmão sobre exatamente esse tema: por que o investimento não chega para mulheres que empreendem.

    Kelly mostrou o dado dos 2% e fez uma provocação que ficou: o problema não é falta de talento. E falta de acesso ao capital de risco.

    Michelle Zatlyn e a prova. O talento estava lá. A competência estava lá. O MBA de Harvard estava lá. E o sócio da Sequoia olhou para ela e disse não.

    A diferença é que Michelle não precisou da aprovação dele para construir o que construiu.

     

    Quantas decisões você está adiando porque ainda espera um ‘sim’ que talvez nunca venha?

    O resultado não pede permissão.

    Assista o episodio completo com Kelly Gusmão sobre mulheres e venture capital no link da bio do @ellaspod.cast.

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  • Crescer ou parecer que está crescendo?

    Crescer ou parecer que está crescendo?

    Crescer ou parecer que está crescendo?

    Reflexões semanais de Mulheres para Mulheres.

    Eu ando com a sensação de que a gente desaprendeu a viver as coisas sem tentar traduzir tudo na mesma hora. É como se toda experiência precisasse vir com uma legenda, uma interpretação, uma moral da história.

    Outro dia, vivi uma daquelas cenas cotidianas, simples mas bonitas. Antes mesmo de absorver o momento inteiro, percebi minha cabeça já tentando organizar aquilo em palavras. E não era nem pra postar. Era pior: eu estava tentando transformar aquilo numa narrativa interna. “O que isso diz sobre mim? Em que tipo de pessoa isso me transforma?”

    É bizarro perceber que até os momentos mais íntimos ganharam uma segunda vida dentro da nossa cabeça: a versão que a gente vai contar depois. Existe um abismo entre viver uma coisa e já pensar em como ela vai soar quando virar história.

    A gente não só compartilha mais a vida, a gente passou a se observar vivendo o tempo todo. Como se tivesse um espelho invisível na nossa frente o dia inteiro.

    E não é só culpa das redes sociais. Isso vem também dessa nossa obsessão contemporânea por propósito, por inteligência emocional, por parecer alguém que é profundamente tocado pela própria existência. Hoje, parece que tem um baita valor simbólico em ser a pessoa que “aprende, elabora e cresce”.

    Crescer virou uma linguagem.  A fase difícil que vem com uma reflexão super sofisticada, o recomeço inspirador, a vulnerabilidade perfeitamente embalada e compreendida enquanto ainda tá acontecendo.

    Às vezes, eu sinto que a gente tá vivendo menos a experiência e mais a percepção de nós mesmos dentro dela. Como se a vida estivesse sempre exigindo coerência narrativa.

    Só que, na real, crescer de verdade quase nunca tem cara de crescimento enquanto tá acontecendo. É um silêncio esquisito, uma sensação de que você não cabe mais em alguns lugares, mas ainda não achou os novos. É perder a vontade de fazer certas coisas sem ganhar nenhuma outra vontade no lugar.

    O crescimento verdadeiro não é bonito, não parece profundo e definitivamente não tem trilha sonora. Às vezes, ele é tão silencioso que a gente só percebe meses depois, quando repara que uma situação que antes acabaria com o nosso dia já não mexe mais com a gente.

    Mas claro, isso não rende narrativa imediata. E talvez seja por isso que rola tanta ansiedade em torno dessa tal “evolução pessoal”. Não basta mais crescer, a gente precisa se ver crescendo. Precisa dar nome, forma, empacotar num conceito. Como se viver algo sem tirar um significado profundo daquilo fosse um desperdício.

    Sinceramente, eu tô cansada disso. Cansada dessa necessidade involuntária de transformar qualquer sentimento em conceito, de fazer de cada fase uma identidade nova, de pegar as nossas dores e tentar espremer uma “versão mais interessante de nós mesmos”. É exaustivo demais ficar se assistindo existir o tempo todo.

    Ultimamente, eu tenho sentido uma inveja boa de quem vive sem essa autoconsciência performática. Gente que simplesmente passa pelas coisas antes de tentar interpretar o que elas significam. Tem uma liberdade absurda em não precisar transformar tudo em evidência de que você tá evoluindo.

    Talvez amadurecer seja exatamente isso: parar de tentar fazer a vida parecer significativa enquanto ela ainda tá rolando. Aceitar que algumas experiências não vieram pra ensinar nada agora. Que algumas mudanças acontecem no escuro, e que nem todo sentimento precisa virar um aprendizado sofisticado.

    Amadurecer talvez seja deixar algumas partes da vida existirem sem plateia, inclusive sem a nossa própria. E o crescimento mais real de todos deve ser justamente aquele que a gente ainda não sabe explicar. O que não virou texto, não virou lição e não foi transformado numa versão bonita da gente. Só a vida acontecendo…..

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