
Elas não estão desistindo.


















Mulheres ocupam 31% dos cargos de liderança sênior no mundo. Em 2024, eram 35%. Em 2025, 34%.
O dado é do Grant Thornton Women in Business 2026. E a direção é clara: a presença feminina no topo está recuando.
Mas existe um segundo dado que ninguém lê junto.
Em 2024, mulheres fundaram quase metade das novas empresas nos Estados Unidos. Em 2019, eram 30%. Nos últimos três anos, o crescimento de negócios liderados por mulheres foi de 12,1%. Para homens, 6,3%.
As mulheres não estão desistindo. Estão construindo. Fora da estrutura que não as sustenta.
Por que mulheres estão trocando o corporativo pelo próprio negócio
75% dizem que querem ser donas do próprio tempo. 62% querem controle sobre como e quando trabalham. Mais da metade quer construir um ativo financeiro próprio.
Os números são da Forbes e do Wells Fargo. E contam uma história que o mundo corporativo prefere ignorar: as profissionais mais qualificadas estão saindo. Não por falta de ambição. Por excesso de clareza.
Na semana passada, mostramos aqui que 43% das mulheres em cargos de liderança querem sair. Hoje o dado ganha contexto. Elas não querem sair para parar. Querem sair para construir algo que faça sentido.
O paradoxo Gallup 2026: engajamento e burnout feminino
Mulheres são mais engajadas do que homens no trabalho. 34% contra 28%. São mais motivadas para crescer na carreira: 20% contra 16%.
E, ao mesmo tempo, 31% das mulheres dizem que se sentem esgotadas com frequência. Contra 23% dos homens.
Mais engajadas. Mais ambiciosas. E mais esgotadas.
O Gallup chama isso de paradoxo. Não é paradoxo. É consequência. Quando o ambiente exige mais de quem entrega mais, sem devolver suporte proporcional, o resultado é previsível. Engajamento e esgotamento coexistem até o dia em que um dos dois ganha. E quando o esgotamento ganha, a empresa perde exatamente quem mais precisava.
O dado que o capital de risco ignora
Mulheres fundaram quase 50% das novas empresas. Mas recebem menos de 2% do capital de risco. Em 2023, eram 2%. Em 2026, o número caiu.
E o retorno? Startups fundadas por mulheres entregam 2,5 vezes mais resultado por dólar investido do que as fundadas por homens.
O dinheiro não vai para quem entrega mais. Vai para quem o sistema reconhece. E o sistema ainda reconhece um perfil que não reflete a realidade do mercado.
Empreendedorismo feminino no Brasil: os dados do Sebrae 2026
48% dos MEIs ativos no Brasil são mulheres. Recorde.
54,6% dos brasileiros que pretendem empreender são mulheres, segundo o GEM/Sebrae.
28% das empreendedoras têm ensino superior, índice acima do masculino.
7 em cada 10 já usam inteligência artificial para automatizar o operacional.
Os números são claros: mulheres brasileiras estão mais preparadas, mais presentes e mais adaptadas à tecnologia do que a narrativa dominante reconhece. O gargalo não é competência. É capital, estrutura e rede de suporte.
E persiste um dado que precisa ser visto: nas micro e pequenas empresas, mulheres ganham em média 15% menos que homens. A desigualdade aumenta conforme a empresa cresce.
O que isso muda para quem lidera e para quem constrói
Se 31% dos cargos de liderança sênior são de mulheres e o número está caindo, o mercado não tem um problema de talento. Tem um problema de ambiente.
E as mulheres já perceberam.
Elas não estão esperando o sistema mudar. Estão construindo o sistema que precisam. Com método, com dados, com clareza sobre o que vale o próprio tempo.
A pergunta deixou de ser “como faço para crescer dentro dessa empresa?” e passou a ser “o que consigo construir fora dela?”
O ambiente que não sustenta quem constrói vai assistir quem constrói ir embora e construir em outro lugar.
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