Quanto tempo tem o tempo?

Reflexões semanais de Mulheres para Mulheres.

Aos 22, ela se formou.

Aos 23, começou a carreira profissional e também se casou. Enquanto muitas ainda buscavam caminhos, ela já construía dois ao mesmo tempo: trabalho e família. 

Aos 27, era mãe de dois filhos. Corria entre reuniões, fraldas, metas, escola, prazos e noites mal dormidas. Aprendeu cedo a arte de sustentar muitos mundos ao mesmo tempo. 

Aos 35, já havia mudado de cidade três vezes. Recomeçou casas, rotinas, amizades e projetos. Descobriu que malas não carregam só roupas — carregam versões inteiras de quem fomos. 

Por fora, parecia uma mulher que dava conta de tudo. Por dentro, às vezes só queria parar.

A mulher que viveu muitas vidas dentro de uma

Aos 41, se divorciou. E junto com o casamento, precisou desmontar certezas que achava definitivas. 

Há términos que encerram histórias. Outros inauguram identidades. 

Aos 43, encontrou um novo amor. Não aquele amor apressado da juventude, mas o que chega quando a gente já sabe o valor da paz. 

Aos 52, virou avó. 

E entendeu que a vida tem uma delicadeza curiosa: quando pensamos que já vimos tudo, ela nos entrega novos começos em braços pequenos. 

Hoje, está no auge da carreira. Reconhecida, experiente, forte, admirada. Mas também atravessada por um silêncio novo. 

O vazio que às vezes aparece não é fracasso. É chamado. 

A necessidade de mudar de rumo não significa ingratidão pelo que foi construído. Significa evolução. 

O tempo que ninguém ensinou

Durante anos, disseram que o tempo de uma mulher era assim: Tempo de estudar. Tempo de Casar.

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