6 em cada 10 mulheres em cargos de liderança relatam burnout frequente.
O dado é do McKinsey Women in the Workplace 2025, o maior estudo corporativo sobre gênero nos Estados Unidos. 10 mil funcionários. 124 organizações. E a conclusão mais dura do relatório não é sobre salário, promoção ou política de home office.
É sobre saída.
Mulheres em posições de liderança estão trocando de emprego na taxa mais alta já registrada pelo estudo. Mais alta do que homens no mesmo nível. Mais alta do que em qualquer edição anterior.
E a maioria das empresas não parou para perguntar por quê.
Por que as melhores profissionais estão pedindo demissão
Não é por dinheiro.
79% dos funcionários que descrevem o ambiente de trabalho como “tóxico” apontam a liderança como o problema central. Gestores sem ética. Gestores que não prestam contas. Gestores que não sustentam quem performa.
Quando o ambiente é o problema, quem sai primeiro é quem tem opção. E quem tem opção são as melhores.
Mulheres em posições de liderança sênior, aquelas que levaram anos para chegar, estão olhando para a estrutura ao redor e decidindo que não vale mais a pena. Não por fraqueza. Porque o retorno emocional não compensa o investimento.
O resultado: as empresas perdem exatamente quem mais precisam. E ficam com quem se adapta ao sistema quebrado. Não com quem conserta.
Liderança feminina e ambientes tóxicos: os dados que ninguém quer ver
29% dos cargos de C-suite são ocupados por mulheres. O número não mudou de 2024 para 2025.
Apenas metade das empresas está priorizando o avanço de carreira de mulheres. O número caiu nos últimos três anos consecutivos.
77% das mulheres negras em cargos seniores relatam burnout frequente. Setenta e sete por cento.
E pela primeira vez, o estudo registra uma queda na ambição feminina: 80% das mulheres querem ser promovidas, contra 86% dos homens. Mas o relatório faz uma ressalva que muda tudo: quando mulheres recebem o mesmo suporte de carreira que homens, a diferença de ambição desaparece.
O problema não é que mulheres querem menos. É que o ambiente entrega menos para elas.
O custo invisível de perder líderes mulheres
Quando as melhores vão embora, o custo não aparece no balanço. Mas aparece em tudo.
Aparece na qualidade das decisões. Aparece no clima do time. Aparece na rotatividade que se multiplica, porque quando uma líder forte sai, outras percebem que o teto é mais baixo do que imaginavam.
A McKinsey estima que empresas com diversidade de gênero no topo têm 25% mais chance de superar a rentabilidade média do setor. Não é pauta social. É dado financeiro.
Perder mulheres da liderança não é problema de RH. É problema de resultado.
Cris Reis e o que acontece quando uma líder decide parar de aceitar
Na T4 do Ellas Podcast, gravamos com Cris Reis. Ela liderou times grandes. Passou por ambientes que não sustentavam quem performava. E um dia decidiu parar de aceitar o ambiente como ele era.
Cris trouxe para a conversa o que muitas sentem e poucas dizem em voz alta: o cansaço não vem do trabalho. Vem de sustentar o trabalho dentro de uma estrutura que não foi desenhada para você.
E fez uma provocação que ficou: se 43% das mulheres em cargos de liderança querem sair, o problema não é a mulher. É a sala.
Você está numa sala que sustenta quem você é? Ou está gastando energia para caber num lugar que não foi feito para você?
O ambiente que não sustenta quem performa não merece quem performa.
Assista o episódio completo com Cris Reis sobre liderança feminina e ambientes de trabalho no link da bio do @ellaspod.cast.
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