Ela não discutiu.

Ela construiu uma empresa de US$ 87 bilhões.

Na semana passada, o X virou um confessionário de fundadores de tecnologia.

Empreendedores começaram a expor, publicamente, historias de investidores que rejeitaram suas empresas. Investidores que dormiram no meio do pitch. Investidores que sumiram depois de assinar o termo de compromisso. Investidores que sugeriram demitir cofundadores para ficar com as ações deles.

A thread viralizou. Milhares de respostas. Nomes citados. Fundos nomeados.

Mas um relato parou tudo.

Matthew Prince, CEO da Cloudflare, contou que um socio da Sequoia Capital rejeitou a empresa porque não acreditava que uma mulher pudesse liderar uma empresa de infraestrutura de segurança.

A mulher era Michelle Zatlyn. Cofundadora. Presidente. COO.

Cloudflare em números: o resultado de Michelle Zatlyn

Valor de mercado: US$ 87 bilhões.

Receita no Q1 2026: US$ 639,8 milhões (+34% em relação ao ano anterior).

Receita projetada para 2026: US$ 2,8 bilhões.

A Cloudflare protege mais de 20% de todo o trafego da internet global.

 

Michelle Zatlyn se formou em Química pela McGill University. Fez MBA em Harvard. Cofundou a Cloudflare em 2009. Patrimônio estimado pela Forbes: US$ 1,9 bilhão. Reconhecida pela Fortune como ’40 Under 40′ e pela Forbes entre as ’50 Self-Made Women’.

A Sequoia perdeu a chance de investir em uma das maiores empresas de cibersegurança do mundo. E perdeu por que? Porque um sócio olhou para a mesa e não conseguiu ver uma mulher empreendedora no comando.

O que essa história ensina sobre liderança feminina

Seria fácil transformar esse caso em discurso. Mas não é o que interessa aqui.

O que interessa é o que veio depois do ‘não’.

Michelle não foi reclamar. Nao montou painel sobre viés de gênero. Não escreveu manifesto. Foi buscar o resultado.

US$ 87 bilhões. Dois vírgula oito bilhões em receita projetada para 2026. Um produto que protege mais de 20% de todo o tráfego da internet.

O resultado tornou a opinião do investidor irrelevante.

Mulheres fundadoras e o acesso ao capital de risco

Se você é fundadora, executiva, ou lidera qualquer operação, já ouviu alguma versão desse ‘nao’. Talvez não tao explícito. Talvez disfarçado de ‘a gente precisa de mais dados’, ‘o mercado não está pronto’, ‘o timing não é esse’.

A tentação é parar para explicar. Para convencer. Para provar que a dúvida não fazia sentido.

Michelle não fez nada disso. Foi construir.

Tem uma diferença entre responder ao preconceito e tornar o preconceito irrelevante. A primeira opção te mantém presa na conversa dos outros. A segunda constrói a sua.

Venture capital e mulheres: os números que ninguém deveria ignorar

Mulheres fundadoras recebem 1,9% do capital de venture capital global. De US$ 289 bilhões investidos em 2024, US$ 6,7 bilhões foram para times fundados exclusivamente por mulheres.

Empresas fundadas por mulheres geram R$ 0,78 de receita por cada R$ 1 investido. Empresas fundadas por homens geram R$ 0,31.

O retorno e 2,5 vezes maior. E o cheque continua menor.

75% dos fundos de venture capital não tem nenhuma mulher como sócia investidora. 17% dos cargos de decisão no setor são ocupados por mulheres empreendedoras.

A conta não fecha. Mas vai fechar. Porque os resultados estão forçando a correção.

Kelly Gusmão e a pergunta que ficou: por que o dinheiro não chega?

Na T4 do Ellas Podcast, gravamos com Kelly Gusmão sobre exatamente esse tema: por que o investimento não chega para mulheres que empreendem.

Kelly mostrou o dado dos 2% e fez uma provocação que ficou: o problema não é falta de talento. E falta de acesso ao capital de risco.

Michelle Zatlyn e a prova. O talento estava lá. A competência estava lá. O MBA de Harvard estava lá. E o sócio da Sequoia olhou para ela e disse não.

A diferença é que Michelle não precisou da aprovação dele para construir o que construiu.

 

Quantas decisões você está adiando porque ainda espera um ‘sim’ que talvez nunca venha?

O resultado não pede permissão.

Assista o episodio completo com Kelly Gusmão sobre mulheres e venture capital no link da bio do @ellaspod.cast.

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